quarta-feira, outubro 26, 2011


(De sexta passada, à noite)

Revôlvo e procuro a criatividade, numa elevação em catadupla que é falsa matéria - agitação; estremeço a hora e calcorreio neste frémito absurdo caminhos entrepostos, extravazantes artérias entroncamentos do cerebral maquinal aldeia; acordo, e constato que acordo, e discordo, e acordo, e discordo; Disco, o disco, o disco! que gira e toca e gira esta sobreposição repetente de indormência, estrebucho do sono não-sono que é querer, querer voar, querer soar e ultrapassar a mera métrica, ir além de rappers ou rimas (sonoras). Tudo porque há que acreditar, no maior, no eu maior, no ego de persistir que é o motor objecto disto; Ela, aspiração, Cafeína. (Ritmo ou sequência Maíusculas.)

Oh, a destruição pela positiva que é enquanto se acredita e os gongos do agora são suficientemente ensurdecedores.

Oh, o caos simples que é o gerar caos pouco simples, extempérie de partes recicladas do Propósito Real que é por lá por "onde", e cuja latência pende e verga e se torna enfim geradora - há forças motrizes por detrás dos vernizes, do estalar dos vernizes; dizem as não-revistas que onde há vernizes há varizes; acredito mas desacredito, pois:

sei lá, é tudo uma questão de (outro) não forçar na interpretação e de verificar, agora sim, o espaço em preenchimento, mutante de potencial, ebulição e confusão a acamar na coragem expressa e confessa que será então o novo papel da Humanidade.

Oh, Oh!, interjeição de mim. Alunar no antigo antigo, o início, a parte que é constante e subleva o carnal animal dispersor, alguma viscosidade da demência apenas como o enxôfre que escorre das partes musculadas e vivas, bem assente e firme o Minotauro cujo cotovelo é assente em força e prenúncia no joelho de flectir e preparar, personificação do animal estar à tona do labirinto e silenciar agora o esbaforir incómodo ausente.

Tresloucados vícios e derrotas os despojos só. Agora é... é....

Quem sabe. Amplificadas as virtudes mas também o difícil, espaço megafone do indefinido, de tudo um "quem sabe?".

Quem sabe.

Desistência ou descanso?

Quem sabe.

"Sabes?"

"Sim sei. Relaxa."

"Mas eu estou, é isto."

"Bolas, bolas. Vou agora ter que explicar que não se trata de te acusar que não estás? Não. Se estás estás. Se é isto é isto. Mas não vou nem dizer nada disto que (e até porque) apenas fiz eco de sequer pensar que, Bolas! nah."

«bzzzzzzzt» (som de circuitos) "Sim, mas eu não disse isso. Apenas disse isto."

Cansaço.

Adiante - Que hoje é um tão novo dia noite. Tão maravilhoso quão os grãos de sol e os raios de café brilhantes exilerantes.

Oh, máxima país, ciência-prazer de reportar ao e dirigir para "lá", busca-fazer de não mais sentir, falta do isto, de não mais sentir, isto-aquilo, de não mais sentir, menos, de não mais não mais, não mais.

Romper com as amarras Zen do perpetuar, fórmula permissividade, pouco.

Ah, mundo-droga e "e"s tantos.

Ah! Oh! Uh! (Citação de filme do Bruce Lee. É só cultura.) Mas chega. Saio do palco película. Exaspero mas não desespero... Uff! Aguentei-me à bronca. Que treino. Que Nortadas. Que desnorte. Uff! E suo por todos os poros.

Como o cancro é a morte do reles plebeu, o avc é a morte do artista.

E que morte.

Uuuufffffff (isto já não sei de onde é que estou a citar. Fica pra quem quiser sitiar. Ah boa, dos Sitiados. O quê só porque o nome é parecido? Isso e cenas.)

Isto e cenas,

resumindo

e conclu-

A

V

C


(De quinta passada, à noite)

Olha. Um blog que fala.

"
Fake.

O que é que tu queres daqui?

Fake, fake.

És tão fake.
"

:\ Pois isto hoje não dá. Empenou.

-

A questão aqui subjacente é que o tempo da acção não é o da reflexão.

De todo.

Alimentar a alma, o mote primeiro e único. Só depois o depois.

Não há um antes.

Tudo é zero e do início; efervescer com a chama, ou deixar cair as cinzas e respirá-las lentamente em asfixia - esta a bifurcação. Nenhum ponto morto.

Nenhum desvio; as ilusões e o escape criativo atropeladas na esquina dobrada e desfeita.

Assumir; dar o peito; ir em frente. Com verdade. Com toda a verdade. Nada mais.

Da coragem, e cenas.

terça-feira, outubro 18, 2011


De regresso à estrada pouco alumiada do que não é real. Por passageiras sugestões de claridade se participa nesta não-viagem...

Se é verdade que nas noites em que o céu está pouco claro, o brilho de um cometa incita a que os espíritos perplexos se arrastem consigo, não menos o homem se queda entregue ao trespasse pela essência escura e contrária em redor. E pelo campo afora tudo o mais é tão naturalmente indistinto e mistério quão as luzes escasseiam mais ainda, as traças o que resta visível da noção desconfortante de baldio.

Candeeiros trémulos... Para onde? (E a razão?) Pisa-se na medida da demência a entrega ao nada, tendo por escala ou destino certos a insolvência da viagem, o estar-se perdido nesse mapa astral por trazer no bolso físico. Eleva-se para se entender que a altura é ou tornou-se uma espécie de colapso com a falta de sustento, a consciência dissimulada de tédio e vice-versa escrevendo a lei da gravidade no plano da altura fictícia. E a lei essa, revôlta em não haver caído senão onde se sempre esteve, é o colidir com aquilo que é a memória sensorial dos vislumbres fotográficos desse hipnótico rasto branco que são os pózinhos de magia que esporádicos se fazem libertar à estratosfera.

...

Halos de côr arroxeada ou escarlate. Halos em vibração, halos em diluição. Mais vibração... E súbito, a percepção de que não se trata de um exuberante cometa. É em verdade todo um Outro Universo, uma neo-génese em bruto e absoluta, todo um ilimitado esplendor galáctico que ali, na mera finitude da possibilidade cósmica, deixou pintalgar a sua magia supra, e transliterou manchas de tudo o concebível e o inconcebível. É nesse preciso instante e em nenhum outro, é nesse ínfimo milionésimo de segundo em que toda essa humanamente incomportável compreensão do que por ali acabara de passar se abate esmagador, e tudo se transfigura, tudo assume uma face coloridamente reveladora de elementos do inexplicável; numa milionésima de segundo em que saltam ao ecrã da nave ou exploração, a noção de que tudo é ali mais e maior, de que tudo é ali o que não é em mais lado nenhum, ou de que tudo é ali.

Mas no instante seguinte, o mesmo ecrã ou exploração apaga e apenas é de observar um baço reflexo do real (expressão indecifrável). Não existe explorador do paralelo; tal é uma profissão históricamente do lado de cá. Em rigor, é quase paradoxo a latência necessária do concreto na novidade. Não é possível.

Mais uma vez, não é possível.

...

Condenados ao inegável, todos os visados estão remetidos a regressar por de onde vieram, perturbados pelo eco desse esplendoroso mundo sinfónico, e mais que cegos só por lhes ser nítida na terra seca o decalque das suas pegadas idas, bem como por a luz dos candeeiros que ressurge lhes humidificar a visão com o ardor melancólico da sua vaga claridade.

Tão vaga ao pé Daquilo... de todo Aquele mistério... de toda Aquela magia!...

domingo, outubro 16, 2011


Ornamentos de Grécia Antiga, cénica de um arcaico palco ou estrado. Os póneis oscilam na vertical da sua dança, o seu olhar arregalado e distante, pautados pelo ranger da madeira que os anos farpam. É a ela que circulam, é por ela que circulam, e assim será enquanto a hora do circo.

Casa de fábulas esvaídas, flores em torno a um claustro. Pinta-se de outra descrição a redoma que eterna consta da condição dos primeiros filósofos, homens solentemente entregues a metaforizar os limites das suas metáforas, os contornos da sua existência o decalque ensombrado das cavernas dos primeiros, e em particular deste mesmo parapeito virtual.

Fica imperfeito e surrealista este seu mesmo quadro, janela de linho desfiado aqui e ali, carcomido acolá. Pois que é noite e não dia, por sobre os vidros da alma.

terça-feira, outubro 04, 2011



Matéria da ante-ascensão, vertigem que se descreve circunflexa entre as nuvens. Pensamento contínuo ou vapores do mar-viagem, este difuso sentimento branco subtrai à alma parte substancial daquilo que se sabe. Bilhete de ir, sobretudo (não importam agora as modalidades que o caixeiro do Destino coloca à disposição). Como transgredir, o único mote que demarcaria ao fundo o horizonte se houvera contra-sentido. Paradigmas transvertidos, ímpetos destrincheirados, estalidos na harmonia caos, o desequilíbrio da super-nova, o cume da dimensão.

Isto tudo, ou olhar-te nos olhos e parar o tempo, ali naquele altar de admiração desconcertante em que tudo é fotões, décibéis e terramoto. E deixar assentar todo o fascínio sobre o medo que se tem do que é divino. Assim se recebe. Assim se pinta a Beleza na tela de um simples aqui. Assim se esboça o Amor na folha em branco de estar.

Assim se droga a Dôr e a Razão.

Freia de novo o autocarro... a minha paragem - tem de ser?

...é...



Erupções mentais. O animal racional tenta violar o vácuo. A fresta no nada é um idioma de ser. Um atractivo idioma estrangeiro. Superamos o agora, almejamos, e tornamos a cair na delinquência da matéria.

Oh, povo que se ergue das catacumbas, geração semeada dispersa, oh, extravagante nós que é o homem-rapaz à frente do computador, plural fervilhante na redoma do zero-um.

Paixão-tinta-amor, esse universo desdobrável que apenas requer gotas de limão-côr, que apenas requer a alma de olhar para ele, de ver por ele fora - pois que ele é contido no escuro e é a luz da lanterna.

No exercício do além, tudo é lá algures. Cérebro que se reprograma num mundo-"onde é?". Incerto mas pleno, o estar lá. Louco mas total, o sentido. E faz!

Afogo a realidade. Correcção - afogo a irrealidade. Verte assim o preparato da Vida, abafando o soluço de ter que regressar. Acordo à infinidade. Admirável mundo novo - éter-amanhã-sempre.

segunda-feira, outubro 03, 2011

Há um bar junto a uma calçada estreita e esburacada, devidamente tapeteada pela sombra. Aparentemente banal e pouco frequentado, é difícil estimar que atractivos realmente mais teria este pequeno recato, para quem inadvertido se deixasse tropeçar pelas curvas tortas da ruela.

Repleto da coloração que lhe dá uma colecção difusa de pequenas peças impressionistas, de pinceladas que evidenciavam uma espécie de luta para não recair na pureza da respectiva abstracção, o ambiente é indefinido. O dono apoia-se no balcão de madeira mal conservada enquanto fita um pouco abandonadamente o espaço comum.

A noite tinha tudo para ser costumeira. Por algum acaso desta, ou apenas por falta de alternativas, alguma clientela dispersa chegava para discretamente recostar-se indistinta, em geral fazendo-se acompanhar de uma aguardente por cabeça. Assumindo como que o papel contratado de consumidores, as pessoas deixavam-se enquadrar perfeitamente na tela desta observação. Assim o conjecturava o dono do espaço, preocupado com as repercussões das presenças física e metafísica deles nas dimensões da arquitectura circundante e conjunta, concentrado em particular na ausência de enredo que as interligasse, na intangibilidade do significado que imperava cada semblante, e em como era manifesta a sequência de imprecisões erráticas que prenunciava sempre a inconclusividade acompanhante da sua mesma extinção, sobressaindo tudo isto à semi-distância deste bem posicionado espectador. Descrevia essa sensação de conluío das formas com a curvatura progressivamente mais acentuada do arco do seu olhar, do seu corpo apoiado na mesa, e do próprio enfoque da sua observação. A nitidez do tédio era crescente e inevitável; como um animal mitológico que se alimentasse de sonhos, impunha-se gigante no centro da sala a bafejar todo o ambiente de uma opacidade turva, e trazendo assim fatidicamente ao bar a única qualidade omnipresente que antes se tinha apontado por omissa.

Mas esta não era uma noite costumeira.